Correntes – do Paulo Prudêncio, Gestão, Megas e afins…

pandora

A gestão escolar voltou naturalmente à superfície por causa dos mega-agrupamentos. Também naturalmente, e depois de um período sobreaquecido, as pedras e os telhados começaram a sentir o peso do tempo: a memória reaviva-se e os professores começam uma espécie de ajuste de contas silencioso. É natural. Tem sido uma luta desgastante e que deixou marcas profundas.

Vou lendo aqui e ali algumas referências ao caso de Santo Onofre, o tal exemplo que num ápice passou de oásis a deserto. Não é justo. Como sempre acontece nos momentos emocionantes, as opiniões oscilam nos extremos; é preciso considerar que basta um pouco mais do que uma dezena de professores para viabilizar o novo modelo de gestão.

Muitos associam, e bem, o modelo de gestão inventado por este PS aos mega-agrupamentos. Por outro lado, são bem conhecidas as minhas posições em relação à rejeição dos dois problemas (por mais que alguém queira, é de todo impossível falar em soluções).

E clarifiquemos: Santo Onofre nasceu em 1993 e iniciou-se como um agrupamento vertical: instalou-se uma escola com segundo e terceiro ciclos que integrou duas escolas de primeiro ciclo: uma existente que encerrou e uma outra que deveria ter nascido numa zona próxima e que se tornou numa universidade privada que hoje já não existe. Tudo no mesmo edifício.

Não haja qualquer dúvida: os fundamentos da lógica empresarial aplicados, ou não, à escola-organização são desfavoráveis à ideia de agrupamentos dispersos no espaço geográfico; seja em qualquer das mais diversas imagens que uma escola pode assumir: empresa, burocracia, democracia, arena política, anarquia ou cultura. Até a tão propalada cultura empresarial de escola não se afirma sem ser na relação de proximidade estabelecida no mesmo espaço físico. Foi também isso que fez da Escola Básica Integrada de Santo Onofre um caso singular e de excelência.

É bom que se diga o seguinte: Santo Onofre resistiu de 1993 a 2006, porque os seus responsáveis, Conselho Executivo e Assembleia, demitiam-se mesmo, sem ser preciso que os agarrassem, se não existissem fundamentos razoáveis e modernos para os amontoados.

Há outras formas de reduzir despesa como se defende aqui sem recorrer aos problemas em curso. A ideia que se persegue nesta fase descaracteriza o projecto de qualquer escola. Mais ainda numa época de quase mercado. Pior ainda se assente num modelo de gestão que retira a democracia da escola.

São estes os fundamentos. Aceita-se a discussão. Tenho denunciado o oportunismo de quem só agora, e à pressa, vem clamar por justiça. Foram avisados há uns dois anos atrás que estavam a abrir uma caixa de pandora. Todavia, nada disso implica que não nos devamos concentrar no essencial, na defesa daquilo que é mais justo para o poder democrático da escola, para a ideia de modernidade e para a defesa da racionalização da despesa.

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~ por mariazeca em Junho 21, 2010.

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